
Kṛṣṇa-Bhāryā Dāsī (HDG)
Sitadevi e o Senhor Ramachandra encarnam no mundo material como maryādā avataras, as encarnações da moral e bons costumes, representando os papeis de Rei e Rainha perfeitos. Maryādā significa limites, regras e conduta ética. Assim, o Senhor Ramachandra também é chamado de Maryādā Purushottam. E Sītā possuía no mesmo nível de igualdade as mesmas qualidades transcendentais do Senhor Rama: forma, beleza, comportamento, idade e natureza (SB 9.10.6-7). Na verdade, ambos eram Lakshmi e Narayana.
Somente a filosofia não é suficiente para gerar o desejo por Krishna. Precisamos ouvir suas narrativas, como possibilidade de nos tornarmos íntimos de sua verdade absoluta, dos seus nomes, formas e qualidades. Naturalmente Deus como uma pessoa tem essa natureza íntima com seus associados e suas boas histórias são o que mais cativam as pessoas. Essas histórias tem que ser as mais criativas e absurdas, mas reais que possam ser verificadas de alguma forma. É isso que os Vedas propõem, que o ser humano fique tão encantado com as histórias de Deus a ponto de sentir vontade de participar dessas lilas. E a narrativa do Ramayama tem essa capacidade nos encantar pela história de Sita e Rama, quais foram suas escolhas, seus comportamentos, os detalhes de suas atividades. E hoje vamos ver um pouco da incrível história da Dharmarani Sita, a Rainha do Dharma.
• Sitadevi demonstra sempre equanimidade diante de todas as suas provações
Mesmo diante da notícia sobre o exílio de 14 anos na floresta do Senhor Rama; mesmo quando é raptada e aprisionada por Ravana por 1 ano; mesmo quando se reencontra com o Senhor Rama após ser libertada e decide entrar no fogo após saber que não poderia voltar para Ayodhya com ele; e mesmo quando passa pelo segundo exílio grávida ela mantém a equanimidade e harmonia em sua conduta diante de tantas provações. Ela era uma Dhīra (sábia, paciente, corajosa, firme e estável, sóbria como Srila Prabhupada traduz na Gita).
• Sita Segue Sua Consciência com determinação e clareza
Sita sempre se pauta no dharma, dever e retidão ao tomar suas decisões e a partir disso, ela segue sua consciência, pois está sempre alinhada com a vontade divina.
No Ramayana Sitadevi expressa claramente sua vontade pela primeira vez ao desobedecer Rama, que quer que ela permaneça no reino e deixe-O ir para Seu exílio na floresta. Ela decide que é seu dever sagrado como esposa acompanhar o marido em qualquer circunstância. Ela se pauta nos vedas e convence Rama também através da sua apreciação da natureza. Vejamos como ela convence Rama:
“Seja vivendo como um asceta ou eremita ou residindo no céu, eu te seguirei. Viajar na floresta não vai me cansar; seguindo-te, eu sentirei a mesma alegria como caminhando nos jardins ou me divertindo contigo nos bosques. Ó Rama, em tua companhia, as urzes espinhosas como kusha, sarpat e shara me parecerão tão suaves quanto pele de veado. A poeira erguida pela tempestade, cobrindo meu corpo, será como pasta de sândalo para mim. Eu dividirei contigo o leito de grama com o mesmo prazer como uma cama de tecido de seda. Quaisquer folhas, raízes ou frutas que tu me trouxeres serão tão doces e satisfatórias quanto ambrosia. Apreciando contigo os frutos e flores de cada estação, eu não me lembrarei de minha mãe, pai e casa. Nenhuma ansiedade será causada a ti pela minha presença na floresta, nem o meu sustento será um fardo para ti. Digo-te que a floresta vai ser o céu em tua companhia, e sem ti mesmo o palácio vai ser um inferno para mim. Tem a bondade, portanto, de me deixar ir para a floresta contigo. Eu não temo nada na floresta, mas, se tu ainda te recusares a me levar contigo, então eu vou acabar com a minha vida por meio de veneno; eu nunca vou morar no meio de estranhos. Ó meu senhor, sem ti nada me resta exceto a morte; abandonada por ti, seria melhor morrer. Eu não posso suportar a dor da tua separação nem por uma hora, como então eu a sofreria por quatorze anos?”
Então Senhor Ramachandra responde:
“Ó Sita, não sabendo a tua opinião, eu te aconselhei a não me acompanhar, mas agora, vendo a tua determinação fixa eu desejo te levar comigo. Ó princesa, cujos olhos brilham como vinho, tu estás destinada a ser minha companheira, que tu me ajudes no cumprimento do meu dever. É bom que tu desejes estar comigo de acordo com o costume dos nossos antepassados. Ó Sita, te prepara para ir para o exílio sem demora; sem ti, nem o céu me agrada.”
Assim, Sita nos dá um grande exemplo de esposa devotada, cumprindo seu papel sagrado, sem se perturbar pelos desconfortos da floresta e o luxo do palácio. Por Suas palavras podemos perceber que Ela faria tudo o que fosse necessário para cumprir seu dharma de esposa e devota.
Vendo a determinação dela, Rama finalmente concordou com sua decisão. A pedido dEle, Sita deu todas as suas posses de valor aos brahmanas, então ela e Rama foram para a floresta.
Ela optou pela simplicidade em detrimento da opulência, a austeridade em detrimento de kama, e a satisfação de seguir sua consciência em detrimento da aflição de estar separada de Sri Rama.
Outro exemplo no Ramayana da determinação de Sita é quando Ela é raptada pelo rakshasa Ravana, corajosamente ela o enfrenta, apontando sua covardia por não enfrentar Rama e leva-la a força, quando seu marido não estava lá.
“Ó patife vil, tu não te envergonhas desse ato? Sabendo que eu estava sozinha, tu puseste as mãos em mim e me carregaste. Ó ser pecaminoso, foste tu que, procurando me raptar, na forma de um cervo atraíste o meu senhor para longe pelo poder de ilusão. “O rei dos abutres, aquele amigo do meu sogro, que procurou me defender, está morto! Realmente tu mostraste grande coragem, ó último dos asuras! Para a tua eterna vergonha, tu não me ganhaste em luta justa, mas sem revelar o teu nome! Tu não te envergonhas de cometer tal ultraje? Canalha que és, para roubar uma mulher que é indefesa e a esposa de outro! A tua façanha desonrosa será proclamada em todos os mundos. Maldito sejas tu, ó bárbaro infame, que te gabas do teu heroísmo! Maldita seja essa bravura e destreza, ó tu, o opróbrio da tua raça, maldito sejas tu no mundo, pela tua conduta!”
A força de Sita vinha de sua pureza, castidade e caráter, por isso ela não demonstrava medo de Ravana. Em sua encarnação anterior como Vedavati, ela era uma jovem com o único desejo e propósito de se casar com Vishnu. Para isso ela realizava penitências em meditação na floresta, quando um dia Ravana a viu e pela luxúria tentou a levar a força. Isso enfureceu Vedavati, e sob o poder de sua penitência, ela o amaldiçoou, condenando-o, juntamente com todo o seu clã de rakshasas, à destruição por sua causa. Ela então deixou seu corpo, utilizando seu poder yóguico e renasceu como Sita.
• A Conexão de Sita com a Natureza
Sita aparece nesse mundo material através da natureza: ela surge espontaneamente da terra enquanto o Rei de Mitila, Janaka, estava arando a terra , por isso ele dá o nome a ela de Sita que significa “sulco” e a cria como filha.
Seu aparecimento indica sua afinidade com a natureza e com a vida espontânea que brota pela própria força (no caso de Sita devi por sua força divina), semelhantemente ao aparecimento de Srimat Radharani que surge em uma flor de lótus no rio Yamuna. Aliás a terra e os rios sagrados são representados por deidades femininas na tradição védica, como Bhumi, Yamuna, Ganges, Sarasvati. Assim, Sita também é chamada de Bhumija, filha de Bhumi.
Sita passa grande parte de sua vida imersa na espontaneidade da floresta, tanto no primeiro exílio com o senhor Rama, como no segundo exílio, quando cria seus filhos junto à natureza, longe do luxo do palácio. Vejamos como ela aprecia a beleza natural e a vida silvestre:
“ .. Viajar na floresta não vai me cansar; seguindo-te, eu sentirei a mesma alegria como caminhando nos jardins ou me divertindo contigo nos bosques. Ó Rama, em tua companhia, as urzes espinhosas como kusha, sarpat e shara me parecerão tão suaves quanto pele de veado…”
Quando Sitadevi foi raptada por Ravana ela se comporta de forma corajosa e inteligente, pedindo socorro a todos seus aliados na natureza: rios, divindades da floresta e ao rei dos pássaros Jatayu:
“…Eu invoco as árvores Janasthana e as florescentes Karnikaras, para que elas possam dizer a Rama rapidamente que Sita foi levada por Ravana! Eu apelo ao rio Godaveri, que ressoa ao grito de grous e cisnes, para informar a Rama que Ravana roubou Sita! Oferecendo saudações às divindades da floresta, eu as invoco para contar ao meu senhor do meu rapto! Eu rogo a todas as criaturas, sejam elas quais forem, seja animal ou ave ou aquelas que habitam a floresta, para anunciar essa notícia para Rama e lhe contar que a sua esposa delicada, para ele mais preciosa do que a vida, foi levada à força por Ravana…”
“Ó nobre Jatayu, vê como eu estou sendo impiedosamente levada pelo perverso rei dos asuras, como uma mulher desprovida de seu protetor. Tu não serás capaz de resistir a ele, pois esse cruel e malvado viajante noturno é poderoso, arrogante e provido de armas. No entanto, ó ave, leva as notícias do meu sequestro para Rama e Lakshmana e lhes conta tudo, não omitindo nada”.
Vejamos como a natureza entristece ao testemunhar o rapto de Sita:
“As árvores, abrigando uma miríade de aves, fustigadas pelo vento seguinte que balançava os galhos mais altos, pareciam sussurrar “Não temas!”, e os lagos, atapetados com lótus murchos, repletos de peixes e criaturas aquáticas afetadas, pareciam estar chorando por Maithili como por uma amiga. Avançando irados por todos os lados, leões, tigres e outros animais e aves seguiam a sombra de Sita, e as montanhas também, com suas cataratas como rostos banhados em lágrimas, seus topos como braços erguidos, pareciam lamentar por Sita, enquanto ela estava sendo levada. Vendo Vaidehi carregada pelo ar, o sol glorioso, oprimido pela tristeza, perdeu seu brilho e se tornou apenas disco pálido.”
Chegando em Lanka, Ravana acreditava que, falando sobre seu amor por Sita, ela logo seria conquistada. Sempre destemida e sempre confiante da proteção de Sri Rama, Sita diz a ele:
“…Vaidehi colocou uma folha de grama entre ela e Ravana, dizendo: “O rei Dasaratha, a muralha indestrutível da justiça, cuja piedade lhe trouxe fama, teve um filho, Raghava. Famoso nos três mundos, aquele virtuoso, possuidor de braços poderosos e olhos grandes, é meu deus e meu senhor. É ele, aquele herói, nascido na Casa de Ikshvaku, ilustre, possuindo ombros semelhantes aos de um leão, que, com seu irmão Lakshmana, vai te privar da tua vida! “Se tu tivesses colocado mãos violentas em mim na sua presença, ele teria te obrigado a te conter e teria te matado em um combate, assim como ele matou o próprio Khara em Janasthana. “
Tomado de fúria, Ravana dá a ela doze meses para que se renda a ele e envia-lhe para um bosque de árvores de ashoka, onde mulheres cruéis e horrendas torturam-na. Ao longo dos doze meses de prisão de Sita, Ravana se torna cada vez mais desesperado e irracional em sua luxúria frustrada. Muito embora uma pessoa comum na condição de Sita fosse se tornar cada vez mais fraca e infeliz, ela se tornava mais forte e mais determinada. Ela nunca deixa de confiar que Sri Rama irá resgatá-la e libertar Lanka da tirania de Ravana.
Ela permaneceu fiel ao seu voto ao seguir Rama para o exílio, ficando na floresta de Ashoka, sem entrar no palácio de Ravana ou desfrutar das luxuosas instalações de Lanka. Ela não se deixou forçar a obedecer às ordens de ninguém. Apesar de sua vida em Lanka ter sido a mais difícil, ela jamais perdeu a coragem e nunca se submeteu aos pedidos de ninguém, exceto de Rama.
Com isso, Sita ganha o respeito, a confiança e a empatia de outras mulheres que Ravana havia raptado e mantido cativas. Quando Ravana não está presente, elas confortam Sita, principalmente a asura Trijata que se torna amiga de Sita e instrui as demais guardas a pedirem perdão à Sita. Assim, todas viram sua grandeza.
• Sita protege sempre o dharma e pelo dharma é sempre protegida
No final de sua história aqui no mundo material Sita retorna à terra, passando grande parte de sua vida imersa na espontaneidade da floresta.
Pelo preço do dharma Ramachandra foi obrigado a banir Sītādevī, que estava grávida, e colocou-a aos cuidados de Vālmīki Muni, onde ela deu a luz aos gêmeos, chamados Lava e Kuśa. Isso ocorreu, pois certa noite, Ele ouviu um homem conversando com sua esposa, que havia estado com outro homem. Durante a repreensão que fazia à sua esposa, o homem falou palavras que punham em suspeita o caráter de Sītādevī. Então, Rama colocando seu dharma de Rei acima de sua vida pessoal, baniu Sitadevi de Ayodhya, para que nunca mais o caráter de Sita fosse questionado.
Então, no segundo exílio, na fase final de sua vida, ela assume totalmente o controle de seu próprio destino. Ela toma suas decisões com base no dharma e enfrenta as consequências. Sita demonstra ainda mais que é uma pessoa forte e determinada, com muita força de vontade cria os filhos no ashrama do sábio Valmiki, sem ajuda do pai, mas mesmo assim ela não comete alienação parental, falando mal de Sri Rama para seus filhos. E sim prepara o caráter e a conduta de seus filhos para serem os futuros reis sucessores de Rama.
Ela entende os motivos de seu marido como Rei de Ayodhya, para o qual seus súditos estavam acima da família (vida pública não era negligenciada pelos interesses privados).
Porém, como dona do próprio destino, após cumprir todos os seus deveres aqui, ela parte de volta para à Terra e assim para o mundo espiritual numa cena deslumbrante. Ela invoca sua mãe Bhumi dizendo que se ela sempre foi fiel ao seu marido, sempre cumprindo com seus deveres então, que Bhumi a acolhesse novamente. Assim, da terra surge um trono com Bhumi sentada. Sita senta ao seu lado e surge uma chuva de flores do céu e Sitadevi retorna para o interior da Terra, finalizando sua lila aqui no mundo material.
Dessa vez Sita provou sua castidade de uma maneira diferente, entrando na terra, não no fogo. Essa era a única maneira de acabar totalmente com as suspeitas sobre seu caráter. Se Sita voltasse para Ayodhya sempre haveriam calúnias.
Esse foi o preço do dharma: O Senhor Ramachandra para mostrar ao povo que era um rei forte, não dominado pela luxúria e que seguia sempre o dharma, teve se separar de sua amada esposa Sita e de seus filhos. E com isso o reino de Ayodhya foi abalado pela tristeza do banimento de Sitadevi, imaginem o sol sem o seu brilho.
Parece que até mesmo Rama ficou em dúvida se essa atitude foi correta, pois ele sempre soube da pureza de Sita, tanto é que ficou com muita raiva e frustação quando Bhumi leva Sita de volta, ameaçando destruir o universo. Então o Senhor Brahma o acalma, dizendo que se reencontrarão no mundo espiritual.
Concluímos assim que esse mundo é um mundo de sofrimentos, nem Deus e sua Consorte puderem ser felizes aqui. Só puderam ser felizes novamente no mundo espiritual.
• A Fonte do Refúgio de Sita
Sempre pensando em Rama dentro de seu coração, Sita constantemente busca se reunir com Ele. Seu compromisso com Ele e sua constante meditação nEle a protegem e dão-lhe forças para resistir às muitas ofertas e tentações de Ravana. “Eu te reduziria a cinzas pelo poder de meu ascetismo e de minha castidade”, Sita diz a Ravana, “mas não tenho a ordem de meu senhor, tampouco desejo desperdiçar meus méritos ascéticos com alguém desprezível como tu”.
A resistência de Sita à obsessão de Ravana drenou os poderes que ele ganhara pelo ascetismo. “Assim, os soldados do Senhor Ramachandra mataram os soldados de Ravana, que haviam perdido toda boa fortuna devido a Ravana ter sido condenado pela ira de mãe Sita”. (Srimad-Bhagavatam 9.10.20)
Depois da morte de Ravana, sua esposa Mandodari diz a seu ferido cadáver: “Ó afortunadíssimo, foste influenciado por desejos luxuriosos, motivo pelo qual não pudeste compreender a influência de mãe Sita. Agora, por causa da maldição dela, foste reduzido a este estado, tendo sido morto pelo Senhor Ramachandra”. (Srimad-Bhagavatam 9.10.27).
Quando Hanuman chega e se oferece para levar Sita sobre suas costas por cima do oceano, Sita, sempre ciente da conduta apropriada, diz: “Tenho o voto de nunca tocar o corpo de algum outro homem que não Rama. Já estou me sentindo atormentada devido ter sido agarrada pelo pecaminoso Ravana. Não me seria possível tocar voluntariamente outro homem. Tampouco eu poderia permitir que outrem que não Rama me resgatasse, diminuindo, destarte, a fama de Rama. Eu, portanto, prefiro aguardar por meu senhor, confiante de que Ele logo chegará”. Hanuman consente o pedido de Sita, respeitando a incomparável castidade pela qual ela é famosa.
Maharaja Dasharatha, o sogro de Sita, disse-lhe certa vez: “Tua notável conduta te garantirá um lugar na história como a mulher mais gloriosa que o mundo já viu”.
• Algumas reflexões sobre o segundo exílio de Sita:
1º. As consequências desastrosas da fofoca e calúnia. Devido aos comentários maliciosos de um homem que poderia prejudicar a honra de Sitadevi, uma Dharmarani, ela teve ser banida de Ayodhya e criar seus filhos sem o pai.
2º. No mundo material não existe felizes para sempre, aqui é um lugar perigoso, definitivamente aqui, não existe conto de fadas. Se o Ramayana tivesse terminado com o retorno de Sita e Rama para Ayodhya felizes materialmente até o final de seus aparecimentos, isso poderia incentivar as almas a permanecerem aqui e não buscarem a iluminação espiritual, já que Sita e Rama conseguiram isso.
3º. No mundo espiritual Eles nunca estiveram separados. Sua separação no Ramayana serve para nos trazer ensinamentos de que devemos seguir os valores morais.
4º. A pureza provem do bom uso do livre arbítrio. O fato de Ravana ter raptado Sitadevi à força e ela ter sido sua prisioneira por 1 ano jamais diminuiu sua pureza.
Quando Sita foi devolvida a Rama pelo deus do fogo, este disse: “Aqui está Vaidehi, ó Rama, não há pecado nela! Nem por palavra, sentimento ou olhar a tua consorte adorável mostrou-se indigna das tuas nobres qualidades. Separada de ti, essa desafortunada foi levada para longe contra a sua vontade na floresta solitária por Ravana, que tinha se tornado orgulhoso por conta de seu poder. Embora aprisionada e vigiada de perto por rakshasas nos aposentos internos, tu sempre eras o foco de seus pensamentos e sua esperança suprema. Cercada por mulheres hediondas e sinistras, embora tentada e ameaçada, Maithili nunca deu lugar em seu coração para um único pensamento a respeito daquele Rakshasa e estava unicamente absorta em ti. Ela é pura e sem mácula, recebe Maithili; é meu comando que ela não sofra reprovação de nenhuma maneira”.
Então o Senhor Rama respondeu:
“Por causa do povo, era imperativo que Sita passasse por essa prova de fogo; essa mulher adorável morou nos aposentos internos de Ravana por um longo tempo. Se eu não pusesse à prova a inocência de Janaki as pessoas diriam: ‘Rama, o filho de Dasaratha, é governado pela luxúria!’ Eu sei muito bem que Sita nunca deu seu coração a outro e que a filha de Janaka, Maithili, sempre foi devotada a mim. Ravana não era mais capaz de influenciar aquela dama de olhos grandes, cuja castidade era a sua própria proteção, que o oceano pode ultrapassar seus limites. Apesar da sua grande perversidade, ele era incapaz de se aproximar de Maithili mesmo em pensamento, que era inacessível para ele como uma chama. Aquela mulher virtuosa nunca poderia pertencer a ninguém além de mim pois ela é para mim o que a luz é para o sol. Sua pureza é evidente nos três mundos; eu não poderia renunciar a Maithili, nascida de Janaka, mais do que um herói a sua honra. Cabe a mim seguir seu conselho sábio e amigável, ó Benevolentes Senhores do Mundo”
5º. Se Deus é Deus Ele ou Ela (nesse caso Sita) pode passar por qualquer prova. Como foi provado pelo teste do fogo que Sitadevi passou. Sitadevi e Ramachandra são heróis, eles não tem medo da dúvida. Pelo teste do fogo Sita provou ser a Personificação da pureza e castidade, mostrando realmente que Ela tinha qualidades divinas, assim como Krishna prova a Arjuna que era Deus mostrando a sua viratrupa, forma universal, na Bhagavad-Gita.
HariOm Tat Sat