
Por: Kṛṣṇa– Bhāryā Dāsī (HDG)
Sītādevi e o Senhor Ramachandra encarnam no mundo material como
maryādā avataras, as encarnações da moral e bons costumes, representando
os papeis de Rei e Rainha perfeitos. Maryādā significa limites, regras e conduta
ética. Assim, o Senhor Ramachandra também é chamado de Maryādā
Purushottam (Śivapurāṇa 2.5.16: ”Reverência a Rama, que encantou os mundos
e estabeleceu os limites do comportamento decente. Reverência a ti, destruidor
de Rāvaṇa e senhor de Sītā”). E Sītā possuía no mesmo nível de igualdade as
mesmas qualidades transcendentais do Senhor Rama: forma, beleza,
comportamento, idade e natureza (SB 9.10.6-7). Na verdade, ambos eram
Lakshmi e Narayana.
Somente a filosofia não é suficiente para gerar o desejo por Krishna.
Precisamos ouvir suas narrativas, como possibilidade de nos tornarmos íntimos
de sua verdade absoluta, dos seus nomes, formas e qualidades. Naturalmente
Deus como uma pessoa tem essa natureza íntima com seus associados e suas
boas histórias são o que mais cativam as pessoas. E essas histórias tem que ser
as mais criativas e absurdas, mas reais que podem ser verificadas de alguma
forma. É isso que os Vedas propõem, que o ser humano fique tão encantado
com as histórias de Deus a ponto de sentir vontade de participar dessas lilas. E
a narrativa do Ramayama tem essa capacidade nos encantar pela história de
Sita e Rama, quais foram suas escolhas, seus comportamentos, os detalhes de
suas atividades. E hoje vamos ver um pouco da incrível história da Dharmarani
Sita, a Rainha do Dharma.
- Sītādevi demonstra sempre equanimidade diante de todas as suas
provações
Mesmo diante da notícia sobre o exílio de 14 anos na floresta do Senhor
Rama; mesmo quando é raptada e aprisionada por Ravana por 1 ano; mesmo
quando se reencontra com o Senhor Rama após ser libertada e decide entrar no
fogo após saber que não poderia voltar para Ayodhya com ele; e mesmo quando
passa pelo segundo exílio grávida ela mantém a equanimidade e harmonia em
sua conduta diante de tantas provações. Ela era uma Dhīra (sábia, paciente,
corajosa, firme e estável, sóbria como Srila Prabhupada traduz na Gita). - Sītā segue Sua Consciência com determinação e clareza
Sītā sempre se pauta no dharma, dever e retidão ao tomar suas decisões e
a partir disso, ela segue sua consciência, pois está sempre alinhada com a
vontade divina.
No Ramayana (Livro II Ayodhya Kanda – Capítulo 30 – Vendo a determinação
fixa dela Rama atende ao seu pedido) Sītādevi expressa claramente sua vontade
pela primeira vez ao desobedecer Rama, que quer que ela permaneça no reino
e deixe-O ir para Seu exílio na floresta. Ela decide que é seu dever sagrado como
esposa acompanhar o marido em qualquer circunstância. Ela se pauta nos vedas
e convence Rama também através da sua apreciação da natureza. Vejamos
como ela convence Rama:
“Seja vivendo como um asceta ou eremita ou residindo no céu, eu te seguirei.
Viajar na floresta não vai me cansar; seguindo-te, eu sentirei a mesma alegria
como caminhando nos jardins ou me divertindo contigo nos bosques. Ó Rama,
em tua companhia, as urzes espinhosas como kusha, sarpat e shara me
parecerão tão suaves quanto pele de veado. A poeira erguida pela tempestade,
cobrindo meu corpo, será como pasta de sândalo para mim. Eu dividirei contigo
o leito de grama com o mesmo prazer como uma cama de tecido de seda.
Quaisquer folhas, raízes ou frutas que tu me trouxeres serão tão doces e
satisfatórias quanto ambrosia. Apreciando contigo os frutos e flores de cada
estação, eu não me lembrarei de minha mãe, pai e casa. Nenhuma ansiedade
será causada a ti pela minha presença na floresta, nem o meu sustento será um
fardo para ti. Digo-te que a floresta vai ser o céu em tua companhia, e sem ti
mesmo o palácio vai ser um inferno para mim. Tem a bondade, portanto, de me
deixar ir para a floresta contigo. Eu não temo nada na floresta, mas, se tu ainda
te recusares a me levar contigo, então eu vou acabar com a minha vida por meio
de veneno; eu nunca vou morar no meio de estranhos. Ó meu senhor, sem ti
nada me resta exceto a morte; abandonada por ti, seria melhor morrer. Eu não
posso suportar a dor da tua separação nem por uma hora, como então eu a
sofreria por quatorze anos?”
Então Senhor Ramachandra responde:
“Ó Sītā, não sabendo a tua opinião, eu te aconselhei a não me acompanhar, mas
agora, vendo a tua determinação fixa eu desejo te levar comigo. Ó princesa,
cujos olhos brilham como vinho, tu estás destinada a ser minha companheira,
que tu me ajudes no cumprimento do meu dever. É bom que tu desejes estar
comigo de acordo com o costume dos nossos antepassados. Ó Sita, te prepara
para ir para o exílio sem demora; sem ti, nem o céu me agrada.”
Assim, Sītā nos dá um grande exemplo de esposa devotada, cumprindo
seu papel sagrado, sem se perturbar pelas desconfortos da floresta e o luxo do
palácio. Por Suas palavras podemos perceber que Ela faria tudo o que fosse
necessário para cumprir seu dharma de esposa e devota.
Vendo a determinação dela, Rama finalmente concordou com sua
decisão. A pedido dEle, Sita deu todas as suas posses de valor aos brahmanas,
então ela e Rama foram para a floresta.
Ela optou pela simplicidade em detrimento da opulência, a austeridade em
detrimento de kama, e a satisfação de seguir sua consciência em detrimento da
aflição de estar separada de Sri Rama.
Outro exemplo no Ramayana da determinação de Sītā é quando Ela é
raptada pelo rakshasa Ravana, corajosamente ela o enfrenta, apontando sua
covardia por não enfrentar Rama e levá-la a força, quando seu marido não
estava lá.
“Ó patife vil, tu não te envergonhas desse ato? Sabendo que eu estava sozinha,
tu puseste as mãos em mim e me carregaste. Ó ser pecaminoso, foste tu que,
procurando me raptar, na forma de um cervo atraíste o meu senhor para longe
pelo poder de ilusão. “O rei dos abutres, aquele amigo do meu sogro, que
procurou me defender, está morto! Realmente tu mostraste grande coragem, ó
último dos asuras! Para a tua eterna vergonha, tu não me ganhaste em luta justa,
mas sem revelar o teu nome! Tu não te envergonhas de cometer tal ultraje?
Canalha que és, para roubar uma mulher que é indefesa e a esposa de outro! A
tua façanha desonrosa será proclamada em todos os mundos. Maldito sejas tu,
ó bárbaro infame, que te gabas do teu heroísmo! Maldita seja essa bravura e
destreza, ó tu, o opróbrio da tua raça, maldito sejas tu no mundo, pela tua
conduta!”
A força de Sītā vinha de sua pureza, castidade e caráter, por isso ela não
demonstrava medo de Ravana. Em sua encarnação anterior como Vedavati, ela
era uma jovem com o único desejo e propósito de se casar com Vishnu. Para
isso ela realizava penitências em meditação na floresta, quando um dia Ravana
a viu e pela luxúria tentou a levar a força. Isso enfureceu Vedavati, e sob o poder
de sua penitência, ela o amaldiçoou, condenando-o, juntamente com todo o seu
clã de rakshasas, à destruição por sua causa. Ela então deixou seu corpo,
utilizando seu poder yóguico e renasceu como Sita. - A Conexão de Sītā com a Natureza
Sītā aparece nesse mundo material através da natureza: ela surge
espontaneamente da terra enquanto o Rei de Mitila, Janaka, estava arando a
terra (Ramayana, Livro I Bala Kanda, Capítulo 66 – O rei Janaka conta a história do
grande arco e do nascimento de Sita), por isso ele dá o nome a ela de Sītā que
significa “sulco” e a cria como filha.
Seu aparecimento indica sua afinidade com a natureza e com a vida
espontânea que brota pela própria força (no caso de Sita devi por sua força
divina), semelhantemente ao aparecimento de Srimat Radharani que surge em
uma flor de lótus no rio Yamuna. Aliás a terra e os rios sagrados são
representados por deidades femininas na tradição védica, como Bhumi,
Yamuna, Ganges, Sarasvati. Assim, Sita também é chamada de Bhumija, filha
de Bhumi.
Sītā passa grande parte de sua vida imersa na espontaneidade da floresta,
tanto no primeiro exílio com o senhor Rama, como no segundo exílio, quando
cria seus filho junto à natureza, longe do luxo do palácio. Vejamos como ela
aprecia a beleza natural e a vida silvestre:
“ .. Viajar na floresta não vai me cansar; seguindo-te, eu sentirei a mesma alegria
como caminhando nos jardins ou me divertindo contigo nos bosques. Ó Rama,
em tua companhia, as urzes espinhosas como kusha, sarpat e shara me
parecerão tão suaves quanto pele de veado…”
Quando Sītādevi foi raptada por Ravana ela se comporta de forma
corajosa e inteligente, pedindo socorro a todos seus aliados na natureza: rios,
divindades da floresta e ao rei dos pássaros Jatayu:
“…Eu invoco as árvores Janasthana e as florescentes Karnikaras, para que elas
possam dizer a Rama rapidamente que Sita foi levada por Ravana! Eu apelo ao
rio Godaveri, que ressoa ao grito de grous e cisnes, para informar a Rama que
Ravana roubou Sita! Oferecendo saudações às divindades da floresta, eu as
invoco para contar ao meu senhor do meu rapto! Eu rogo a todas as criaturas,
sejam elas quais forem, seja animal ou ave ou aquelas que habitam a floresta,
para anunciar essa notícia para Rama e lhe contar que a sua esposa delicada,
para ele mais preciosa do que a vida, foi levada à força por Ravana…”
“Ó nobre Jatayu, vê como eu estou sendo impiedosamente levada pelo perverso
rei dos asuras, como uma mulher desprovida de seu protetor. Tu não serás
capaz de resistir a ele, pois esse cruel e malvado viajante noturno é poderoso,
arrogante e provido de armas. No entanto, ó ave, leva as notícias do meu
sequestro para Rama e Lakshmana e lhes conta tudo, não omitindo nada”.
Vejamos como a natureza entristece ao testemunhar o rapto de Sita:
“As árvores, abrigando uma miríade de aves, fustigadas pelo vento seguinte que
balançava os galhos mais altos, pareciam sussurrar “Não temas!”, e os lagos,
atapetados com lótus murchos, repletos de peixes e criaturas aquáticas
afetadas, pareciam estar chorando por Maithili como por uma amiga. Avançando
irados por todos os lados, leões, tigres e outros animais e aves seguiam a
sombra de Sita, e as montanhas também, com suas cataratas como rostos
banhados em lágrimas, seus topos como braços erguidos, pareciam lamentar
por Sita, enquanto ela estava sendo levada. Vendo Vaidehi carregada pelo ar, o
sol glorioso, oprimido pela tristeza, perdeu seu brilho e se tornou apenas disco
pálido.”
Chegando em Lanka, Ravana acreditava que, falando sobre seu amor por
Sita, ela logo seria conquistada:
“Ó Vaidehi, não temas infringir o dharma; a cerimônia que consagrará a nossa
união é sancionada pelo Veda! Eu pressiono os teus pés delicados com minhas
cabeças; aceita o meu pedido rapidamente! Eu sou teu escravo e sempre
obediente a ti! Que essas palavras, inspiradas pelos tormentos do amor, não se
revelem infrutíferas; nunca antes Ravana baixou a cabeça diante de uma
mulher”. Tendo falado assim para Maithili, filha de Janaka, Dashagriva (10
pescoços) sob a influência do destino pensou: “Ela é minha!”
Sempre destemida e sempre confiante da proteção de Sri Rama, Sita diz
a ele:
“Ouvindo essas palavras, Vaidehi, embora ainda angustiada, deixou de tremer e
colocou uma folha de grama entre ela e Ravana, dizendo: “O rei Dasaratha, a
muralha indestrutível da justiça, cuja piedade lhe trouxe fama, teve um filho,
Raghava. Famoso nos três mundos, aquele virtuoso, possuidor de braços
poderosos e olhos grandes, é meu deus e meu senhor. É ele, aquele herói,
nascido na Casa de Ikshvaku, ilustre, possuindo ombros semelhantes aos de um
leão, que, com seu irmão Lakshmana, vai te privar da tua vida! “Se tu tivesses
colocado mãos violentas em mim na sua presença, ele teria te obrigado a te
conter e teria te matado em um combate, assim como ele matou o próprio Khara
em Janasthana. “
Tomado de fúria, Ravana dá a ela doze meses para que se renda a ele e
envia-lhe para um bosque de árvores de ashoka, onde mulheres cruéis e
horrendas torturam-na. Ao longo dos doze meses de prisão de Sita, Ravana se
torna cada vez mais desesperado e irracional em sua luxúria frustrada. Muito
embora uma pessoa comum na condição de Sita fosse se tornar cada vez mais
fraca e infeliz, ela se tornava mais forte e mais determinada. Ela nunca deixar de
confiar que Sri Rama irá resgatá-la e libertar Lanka da tirania de Ravana.
Ela permaneceu fiel ao seu voto ao seguir Rama para o exílio, ficando na
floresta de Ashoka, sem entrar no palácio de Ravana ou desfrutar das luxuosas
instalações de Lanka. Ela não se deixou forçar a obedecer às ordens de
ninguém. Apesar de sua vida em Lanka ter sido a mais difícil, ela jamais perdeu
a coragem e nunca se submeteu aos pedidos de ninguém, exceto de Rama.
Com isso, Sītā ganha o respeito, a confiança e a empatia de outras
mulheres que Ravana havia raptado e mantido cativas. Quando Ravana não está
presente, elas confortam Sītā, principalmente a asura Trijata que se torna amiga
de Sita e instrui as demais guardas a pedirem perdão à Sītā. Assim, todas viram
sua grandeza.
E no final de sua história aqui no mundo material Sītā retorna à terra,
passando grande parte de sua vida imersa na espontaneidade da floresta.
Pelo preço do dharma Ramachandra foi obrigado a banir Sītādevī, que
estava grávida, e colocou-a aos cuidados de Vālmīki Muni, onde ela deu a luz
aos gêmeos, chamados Lava e Kuśa. Isso ocorreu, pois certa noite, Ele ouviu
um homem conversando com sua esposa, que havia estado com outro homem.
Durante a repreensão que fazia à sua esposa, o homem falou palavras que
punham em suspeita o caráter de Sītādevī. Então, Rama colocando seu dharma
de Rei acima de sua vida pessoal, ele baniu Sītādevi de Ayodhya, para que
nunca mais o caráter se Sita fosse questionado.
Então, no segundo exílio, na fase final de sua vida, ela assume totalmente
o controle de seu próprio destino. Ela toma suas decisões e enfrenta as
consequências. Sītā demonstra ainda mais que é uma pessoa forte e
determinada, com muita força de vontade cria os filhos no ashrama do sábio
Valmiki, sem ajuda do pai, mas mesmo assim ela não comete alienação perental,
falando mal de Sri Rama para seus filhos. Ela entende os motivos de seu marido
como Rei de Ayodhya, para o qual seus súditos estavam acima da família (vida
pública não era negligenciada pelos interesses privados). Porém, como dona do
próprio destino, após cumprir todos os seus deveres aqui, ela parte de volta para
à Terra e assim para o mundo espiritual numa cena deslumbrante. Ela invoca
sua mãe Bhumi dizendo que se ela sempre foi fiel ao seu marido, sempre
cumprindo com seus deveres então, que Bhumi a acolhesse novamente. Assim,
da terra surge um trono com Bhumi (mãe de Sītā) sentada. Sītā senta ao seu
lado e surge uma chuva de flores do céu e Sītādevi retorna para o interior da
Terra, finalizando sua lila aqui no mundo material. Dessa vez Sītā provou sua
castidade de uma maneira diferente, entrando na terra, não no fogo. Essa era a
única maneira de acabar totalmente com as suspeitas sobre seu caráter. Se Sītā
voltasse para Ayodhya sempre haveriam calúnias.
Esse foi o preço do dharma: O Senhor Ramachandra para mostrar ao
povo que era um rei forte, não dominado pela luxúria e que seguia sempre o
dharma, teve se separar de sua amada esposa Sita e de seus filhos. E com isso
o reino de Ayodhya foi abalado pela tristeza do banimento de Sītādevi, imaginem
o sol sem o seu brilho. Parece que até mesmo Rama ficou em dúvida se essa
atitude foi correta, pois ele sempre soube da pureza de Sita, tanto é que ficou
com muita raiva e frustação quando Bhumi leva Sītā de volta, ameaçando
destruir o universo. Então o Senhor Brahma o acalma, dizendo que se
reencontrarão no mundo espiritual. Concluímos assim que esse mundo é um
mundo de sofrimentos, nem Deus e sua Consorte puderem ser felizes aqui. Só
puderam ser felizes novamente no mundo espiritual. - Algumas reflexões sobre o segundo exílio de Sītā:
1º. As consequências desastrosas da fofoca e calúnia. Devido aos comentários
maliciosos de um homem que poderia prejudicar a honra de Sītādevi, uma
Dharmarani, ela teve ser banida de Ayodhya e criar seus filhos sem o pai.
2º. No mundo material não existe felizes para sempre, aqui é um lugar perigoso,
definitivamente aqui não existe conto de fadas. Se o Ramayana tivesse
terminado com o retorno de Sita e Rama para Ayodhya felizes materialmente até
o final de seus aparecimentos, isso poderia incentivar as almas a permanecerem
e não buscarem a iluminação espiritual, já que Sita e Rama conseguiram isso.
3º. No mundo espiritual Eles nunca estiveram separados. Sua separação no
Ramayana serve para nos trazer ensinamentos de que devemos seguir os
valores morais.
4º. A pureza provem do bom uso do livre arbítrio. O fato de Ravana ter raptado
Sītādevi à força e ela ter sido sua prisioneira por 1 ano jamais diminuiu sua
pureza.
Quando Sītā foi devolvida a Rama pelo deus do fogo, este disse: “Aqui está
Vaidehi, ó Rama, não há pecado nela! Nem por palavra, sentimento ou olhar a
tua consorte adorável mostrou-se indigna das tuas nobres qualidades. Separada
de ti, essa desafortunada foi levada para longe contra a sua vontade na floresta
solitária por Ravana, que tinha se tornado orgulhoso por conta de seu poder.
Embora aprisionada e vigiada de perto por rakshasas nos aposentos internos, tu
sempre eras o foco de seus pensamentos e sua esperança suprema. Cercada
por mulheres hediondas e sinistras, embora tentada e ameaçada, Maithili nunca
deu lugar em seu coração para um único pensamento a respeito daquele
Rakshasa e estava unicamente absorta em ti. Ela é pura e sem mácula, recebe
Maithili; é meu comando que ela não sofra reprovação de nenhuma maneira”.
Então o Senhor Rama respondeu:
“Por causa do povo, era imperativo que Sita passasse por essa prova de fogo;
essa mulher adorável morou nos aposentos internos de Ravana por um longo
tempo. Se eu não pusesse à prova a inocência de Janaki as pessoas diriam:
‘Rama, o filho de Dasaratha, é governado pela luxúria!’ Eu sei muito bem que
Sita nunca deu seu coração a outro e que a filha de Janaka, Maithili, sempre foi
devotada a mim. Ravana não era mais capaz de influenciar aquela dama de
olhos grandes, cuja castidade era a sua própria proteção, que o oceano pode
ultrapassar seus limites. Apesar da sua grande perversidade, ele era incapaz de
se aproximar de Maithili mesmo em pensamento, que era inacessível para ele
como uma chama. Aquela mulher virtuosa nunca poderia pertencer a ninguém
além de mim pois ela é para mim o que a luz é para o sol. Sua pureza é evidente
nos três mundos; eu não poderia renunciar a Maithili, nascida de Janaka, mais
do que um herói a sua honra. Cabe a mim seguir seu conselho sábio e amigável,
ó Benevolentes Senhores do Mundo”
5º. Se Deus é Deus Ele ou Ela (nesse caso Sita) pode passar por qualquer prova.
Como foi provado pelo teste do fogo que Sitadevi passou. Sitadevi e
Ramachandra são heróis, eles não tem medo da dúvida. Pelo teste do fogo Sita
provou ser a Personificação da pureza e castidade, mostrando realmente que
Ela tinha qualidades divinas, assim como Krishna prova a Arjuna que era Deus
mostrando a sua viratrupa, forma universal, na Bhagavad-Gita. - A Fonte do Refúgio de Sītā
Sempre pensando em Rama dentro de seu coração, Sita constantemente busca
se reunir com Ele. Seu compromisso com Ele e sua constante meditação nEle a
protegem e dão-lhe forças para resistir às muitas ofertas e tentações de Ravana.
“Eu te reduziria a cinzas pelo poder de meu ascetismo e de minha castidade”,
Sita diz a Ravana, “mas não tenho a ordem de meu senhor, tampouco desejo
desperdiçar meus méritos ascéticos com alguém desprezível como tu”.
A resistência de Sītā à obsessão de Ravana drenou os poderes que ele ganhara
pelo ascetismo. “Assim, os soldados do Senhor Ramachandra mataram os
soldados de Ravana, que haviam perdido toda boa fortuna devido a Ravana ter
sido condenado pela ira de mãe Sita”. (Srimad-Bhagavatam 9.10.20)
Depois da morte de Ravana, sua esposa Mandodari diz a seu ferido cadáver: “Ó
afortunadíssimo, foste influenciado por desejos luxuriosos, motivo pelo qual não
pudeste compreender a influência de mãe Sita. Agora, por causa da maldição
dela, foste reduzido a este estado, tendo sido morto pelo Senhor Ramachandra”.
(Srimad-Bhagavatam 9.10.27).
Quando Hanuman chega e se oferece para levar Sita sobre suas costas por cima
do oceano, Sita, sempre ciente da conduta apropriada, diz: “Tenho o voto de
nunca tocar o corpo de algum outro homem que não Rama. Já estou me sentindo
atormentada devido ter sido agarrada pelo pecaminoso Ravana. Não me seria
possível tocar voluntariamente outro homem. Tampouco eu poderia permitir que
outrem que não Rama me resgatasse, diminuindo, destarte, a fama de Rama.
Eu, portanto, prefiro aguardar por meu senhor, confiante de que Ele logo
chegará”. Hanuman consente o pedido de Sita, respeitando a incomparável
castidade pela qual ela é famosa.
Maharaja Dasharatha, o sogro de Sītā, disse-lhe certa vez: “Tua notável conduta
te garantirá um lugar na história como a mulher mais gloriosa que o mundo já
viu”.